Sorriso de Maria (Simone Sá Pinto)

Ao sol de meio dia
Coitada da Maria
Enfrenta sem dó o peso dessa vida arredia
 
As quatro Maria já acordado havia
Seis filhos sozinha ela cria
Deixou feijão e arroz pronto, merenda, tudo o que podia
 
Maria é alegre e contente
Uma pena que lhe faltem os dentes
Mas Maria não se aborrece
O morro sobe e desce
Para ela o tempo não escurece
 
Vende roupa, salgado, docinho
Lava, passa, faz o que aparece
O negócio é ganhar um troquinho
Que garanta a comida de seus pintinhos
 
Maria não reclama
A Deus a vida agradece
Mesmo cedo saindo da cama até tarde acordada fica
Acalenta seus filhinhos e só então adormece
 
Dia a dia segue Maria
Não se cansa dessa dança
É forte, sabe se defender
E pela vida briga doa a quem doer
 
Seus filhos, Monaliza, Juan, Toquinho, Jonatan, Paulo e Zenás
Estudam na escola lá de traz
Ela confere a lição
Diz que vai fazer deles tudo cidadão
 
Aparece gente querendo ajudar, fazer caridade
Ela diz: – Carece não, assim tá bom, mas Zenaide lá da esquina tá sem cochão
 
E assim segue Maria, ao sol de meio dia enfrentando essa vida arredia
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