New York, New York…

Costumo dizer que o primeiro ano em que se mora em Nova Iorque é encantamento, o segundo é composto de ódio e indignação e se sobrevive ao terceiro, não se quer mais sair de lá. Aprende a amar (já morei lá). O que não aconteceu com o artista uruguaio que viveu desde seus 17 anos na Europa, Joaquin Torres García (1874-1949).
 
Em 1929 se aventurou a viver em Nova Iorque e só ficou for lá por dois anos. Na mostra “Traços de Nova York” (1° de maio – 13 de junho – centro cultural da caixa econômica), Torres Garcia deixa claro o momento indignação com a cidade, consumismo, American way of life, com muita beleza.
 
Mas, não se deve passar por lá e apenas ver as belas aquarelas questionadoras emolduradas, é preciso ler os pensamentos do artista fixados na parede. Você sai da exposição em dúvida se ele é melhor como pintor ou escritor?! Realmente imperdível, especialmente para aqueles que já tiveram a oportunidade de morar na terra da maçã.
 
Para ilustrar e estimular segue uma imagem de uma das aquarelas, e transcrevo um dos textos de García abaixo:

 

 
“Cada época tem sua própria arte.  – Todos os clássicos foram contemporâneos à sua época – refletiram toda a vida de sua época – foram homens de sua época. – Nós também devemos ser homens – como eles – do presente – de nossa época. – Nada de retrospectivo pode nos servir – devemos olhar sempre adiante, não para trás. – Para que não fiquemos mortos, convertidos em estátuas de sal. – Isso à parte de que existe algo – com respeito à humanidade, e com respeito à Arte, com A maiúscula – que é de todos os tempos. – Esta Civilização Material – que se levantou aqui nesta cidade da América – principalmente – não é obra da sorte – é obra dos tempos. – O que atualmente persegue a Arte – algo que corresponde a essa Civilização Material – a obra humana, acima de tudo – tampouco é obra da sorte. E sim, como o outro, obra dos tempos. – Obra dos tempos – o que quer dizer a obra de muitos homens – que criam algo – inconscientemente – porque acreditam estar fazendo outra coisa. – Sinal e manifestação do Espírito, através do Homem.”
 
                                                                                                               J. Torres Garcia
                                                                                                            Manuscrito de N.Y.
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