Não Pode (Simone Sá Pinto)

Vivemos em um mundo cheio de limitações. Tem horas que fica difícil respirar. Todas essas limitações acabam gerando culpa, despero e sofrimento, daí minha poesia de hoje.
 
 
Não Pode
 
 
Quanto não pode
Pra que tudo isso se nada pode
Pequenos, queremos fazer as coisas e ouvimos
“Isso não pode, ou aí não pode”
 
Quando adolescentes minha Nossa
Enxurrada de não pode
Não pode tatuagem
Chegar tarde
Esse ou outro amigo
Notas da escola
Quase não pode nem respirar
 
Jovens não podem parar
Tem que estudar
Estagiar
Trabalhar
Não pode decepcionar
Não pode engordar
Desafiar o chefe
Nada pode
 
Adultos temos filhos
Aí é não pode duplo
O nosso não pode
– não pode comer certas coisas por conta da saúde
– não pode beber
– não pode fumar
E o não pode que temos que proferir aos nossos filhos:
– “isso não pode, ou aí não pode”
Pode!?
 
O que pode afinal?
Coisas que inventamos para fingir que somos livres
Coisas para fazer diminuir o peso de tanto não pode
 
E se tudo pudesse?
Caos seria
E de que vale então?
Sei lá, um dia te conto
Só às vezes não entendo o porquê
Se no final nada pode
Até pode, mas com moderação
Moderação???!!! Faça-me o favor!
 
Para mim, uma pessoa intensa
É tentar aprender a viver em saco de pão
Dar forma (ou fôrma) a algo eternamente mutável
Não pode!!!!
 
O saco sufoca e não tem saída
Maldito araminho (de dentro não dá pra desenrolar)
Não pode!!!
 
Não dá pra ser quadrada
Esse não é o meu caminho
Mas….Não pode….Não pode….Não pode….   
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