Eternos Insatisfeitos?

Fui preparar o café hoje pela manhã e notei uma situação intrigante. Para a quantidade de água que uso é sete medidas, mas não me contenho tenho que colocar mais um pouquinho irrisório de pó. Ao servi-lo em minha xícara uso uma colher e meia de açúcar, mais uma vez não me contenho e tenho que colocar mais um pinguinho. Meu filho pede a mamadeira e são duas colheres de leite, lá vou eu, mais um dedinho. Paro para pensar e lembro que faço isso com tudo. Feijão, arroz, purê e até na hora de colocar perfume.
 
Percebo que não sou apenas eu, mas meu marido, a moça que trabalha em minha casa, todos ao meu redor e me pergunto: Porque fazemos isso? O que essa mínima quantidade a mais irá representar. A resposta que posso encontrar é apenas uma: Fazemos parte de uma cultura eternamente insatisfeita, sempre querendo mais, nunca completos com a quantidade do que temos e assim inconscientemente refletimos essa insatisfação em nossos atos diários.
 
Se fossem apenas mais um pouquinho do pó de café ou açúcar estaria tudo bem. Porém a questão é mais profunda e influencia em nossa felicidade. Se nunca estivermos satisfeitos não estaremos por conseqüência em paz e em estado de felicidade.
 
Desejar mais é saudável, pois faz com que estejamos sempre em busca de crescimento, mas é necessário avaliar se o que estamos cobrando, se esse mais um pouquinho é realmente indispensável em determinadas situações, ou se estamos sendo vítimas de ciladas. Mal humorados, reclamões, quando na verdade já temos muito mais do que precisamos.
 
Nesse momento o olhar em volta e apreciar o já alcançado é muito mais valioso do que olhar o que a mídia está nos sugerindo ser importante consumir. Acima de tudo olhar para quem somos afinal toda matéria adquirida ficará em terra quando fizermos a passagem. É no campo do quem somos que está o alvo. É onde deveríamos sempre tentar adicionar mais uma medidinha de açúcar.
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