Alguém acredita em milagre?

Não agüento essas pessoas. Vivem estórias de garra, exemplares, mas na hora de contar, ninguém quer ser identificado. E assim lá vou eu mais uma vez criar um nome para narrar essa estória. Vamos chamá-la de Lívia.
 
Lívia possui um currículo fantástico é casada tem um filho pequeno e um enteado de onze anos (não mora com ela). O marido está desempregado há cerca de um ano e meio e ela por motivos de saúde também está fora do mercado pelo mesmo tempo.
 
Por sorte Lívia possui pais maravilhosos e amigos que a ajudam sem cobrar ou jogar na cara, mas há de convir que não é uma situação nada agradável.  Ainda mais para Lívia que sempre correu atrás desde adolescente.
 
Lívia então resolveu fazer doces e bolos e vender na rua. O lucro é baixo e a ralação é alta, mas pelo menos é algum trocado para ajudar.
 
Certo dia Lívia liga para checar o saldo de seu cartão de crédito e se apavora. Comedida, sem gastar dinheiro com besteiras não sabe como conseguiu deixar seu cartão chegar a aquele valor, e pensa: Não posso de jeito algum deixar que meu pai assuma essa dívida sozinho.
 
Até então ela que só oferecia seus doces em boutiques dobra a quantidade de seus produtos e passa a oferecer a todos. Camelôs, garagistas, taxistas, quem estiver parado na rua. Saia de casa e só voltava quando tudo estava vendido. Obstinada por alcançar no mínimo a metade do valor da dívida.
 
Lívia conhece um mundo novo, descobre que essas pessoas são completamente diferentes das de boutiques. Muito mais parceiras e amigáveis. Encanta-se com toda a experiência de vida que está adquirindo.
 
É então quando em um dia se vê em uma situação complicada. Já tarde da noite sua bolsa ainda estava cheia de doces e ela chateada e cansada sem poder desistir para em um ponto de taxi e oferece seus bolinhos. Do nada, certo taxista age como um verdadeiro padrinho, saca dois reais e compra quatro bolos (são 50 centavos cada), e não para por aí. A cada viatura que encosta ele simplesmente diz, me passa aí dois reais. Para que? Perguntam. Ele diz: Para comprar quatro bolos da menina aqui que está precisando de ajuda. E assim ele vai até com que Lívia venda todos os bolos que restavam. Chega a ponto de virar para o vendedor de amendoim que parado estava ali de papo e dizer. Ei você, pega 50 centavos e compre um bolo dela. Pois essa menina aqui, pela forma que se apresenta tenho certeza que um dia esteve sentada nesse bar (o ponto de taxi era ao lado de um bar) tomando chope e já comprou amendoim seu. Hoje é ela quem está precisando. E o cara comprou!
 
Lívia vendeu tudo, e com os olhos cheios d’água olhou para o taxista e agradeceu dizendo: O senhor é especial, uma pessoa iluminada, não sei por que fez isso, mas tenho certeza absoluta que Deus lhe devolverá em dobro. Os dois ficaram emocionados.
 
Lívia voltou para casa atônita, aquilo parecia um milagre. Estava com a bolsa vazia mas com o coração lotado. Não pela venda do bolo, mas por ver que ainda existe nesse mundo pessoas que tem valor. Pessoas que trabalham no bem e na luz. Isso para ela valeu muito mais do que a venda.
 
Sim, Lívia conseguiu levantar o valor necessário para ajudar seu pai que recebeu o dinheiro com muita emoção. Também não pelo dinheiro, mas por reconhecer a garra de sua filha.

 

São estórias como essa que me fazem repetir. Não fiquem parados. Levantem a cabeça e enfrentem a vida com dignidade e humildade. Briguem com pelo o que desejam. Nada é impossível. Pode demorar, mas se formos à luta temos muito mais chance de conquistar do que se ficarmos parados reclamando.
 
Lívia tem garra.
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