Relato de uma alcoólatra em recuperação

No dia 22 de outubro publiquei uma matéria chamada “Moderação é a Solução” que falava sobre os danos do alcoolismo. Por esse motivo recebi o relato abaixo de uma pessoa que pede para não ser identificada. Achei interessante dividir com vocês, para que tenham uma idéia do que uma pessoa passa durante esse processo.

Relato de uma alcoólatra em recuperação

Quase dois anos limpa. Estou sozinha em um bar e acabei de pedir um chope, levantei o copo e brindei: à minha não vitória!
 
Posso te dizer uma coisa. Esse processo não é nada fácil. Eu pessoalmente, já estou em um ponto em que vejo as pessoas beberem em festas, noitadas, rodas de samba e fico numa boa. Só no refri.
 
Mas tem dias em sua vida que parece que você quer sumir, não em função da abstinência, mas, por problemas em geral. E de alguma forma por mais que as pessoas ao seu redor tentem te ajudar do jeito delas, às vezes só pioram. Estão bem intencionadas, mas não estão na sua pele. E você vai se afundando, afundando, não vê saída para nada por mais forte que seja, por mais garra que tenha.
 
Começa a chorar e o que acontece? Se sente um estorvo abalando a estrutura do lar. Ninguém gosta de ver uma pessoa chorar. O mundo já anda tão difícil e agora esse ser chorando pelos cantos dentro de casa – Ah não, não pode!
 
Então você pega, muda de roupa e sai de casa para não incomodar. E aí meu caro leitor, quem é o ombro amigo que encontro? A cerveja! Isso mesmo, de certa forma alivia a minha dor. Mas fica a dor da consciência. Quebrei a lei seca. Ferrou! Não tenho mais o que comemorar esse mês quando irei completar dois anos sem beber. Sei que não faz sentido algum o que vou dizer agora, mas, me sinto melhor aqui com ela (cerveja) do que em casa e ao mesmo tempo uma fraca por ter quebrado a lei seca. Eu jamais poderia estar fazendo o que estou fazendo. E estou. Fazer o que? Parar? Não vou. Mas sei que amanhã vou estar com raiva de mim mesma. Beco sem saída.
 
Sou alcoólatra do tipo que já quebrou a casa. Não posso voltar e segundo a lei do A.A. (Alcoólatras Anônimos), deve-se evitar o primeiro gole. Enquanto escrevo já estou na quarta tulipa. Sei bem o final disso, e consciente continuo. Só posso dizer uma coisa, tome cuidado. Beba com moderação para poder se divertir nessa vida sem ter que viver o impasse que vivo. Acho que ninguém faz idéia de o quanto é fácil se tornar alcoólatra e muito menos do quanto é difícil (quase impossível) sair disso.
 
Abram seus olhos.
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