Toc Toc…Quem Bate?

Quem lê uma unica vez essa poesia de Fernando Pessoa (Cancioneiro) pode achar a coisa mais triste da face da terra, e pensar que nesse momento o autor sente-se como se nada importa e que a vida acabou.

Quem lê, relê, lê novamente e novamente, para, pensa, se auto avalia, olha em volta de sua vida, pode talvez perceber uma evolução absurda do autor (Talvez não tenha sido a intenção do mesmo, mas a arte acaba tomando vida própria). Talvez esteja se referindo às pessoas que o incomodam, e que para essas sim ele esteja com a alma já morta. Já não queira mais sentir nada por pessoas imbecis que lhe atormentam. Talvez por isso tenha se colocado surdo à imbecilidade humana para sobreviver e continuar a lutar por algum ideal, e assim decidiu ficar surdo à estupidez até que o mundo se acabe para não perder seu eixo. Quem vai saber?

Quem bate à minha porta
Tão insistentemente
Saberá que está morta
A alma que em mim sente?

Saberá que eu a velo
Desde que a noite é entrada
Com o vácuo e vão desvelo
De quem não vela nada?

Saberá que estou surdo?
Porque o sabe ou não sabe,
E assim bate, ermo e absurdo,
Até que o mundo acabe?
23/5/1932
(Cancioneiro) – Fernando Pessoa

 

 

Anúncios

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s