Amostra grátis.

Sim ando rápido. A vida acaba me cobrando isso. Não que eu queira, mas a demanda do dia-a-dia é alta e se não andar rápido não consigo realizar tudo o que é necessário. Adoraria poder andar devagar. Mas não dá tempo. Isso não quer dizer que eu ande por aí sem ver o que está acontecendo a minha volta, ou perceba as pessoas na rua.

Assim na rua movimentada que mais freqüento, todo o momento que passo, sou abordada há anos por um rapaz. Bem antigamente era um rapaz, hoje é um homem feito, que fica em uma barraca vendendo biscoitos e com um pacote oferecendo provas do que vende.

Nunca aceito. Não por nada, não por achar que o biscoito é ruim ou ter nojo, apenas por educação, pois sei que não irei comprar. São biscoitos amanteigados e não costumo usar em casa, mas sempre me pego pensando nessa pessoa.

Como consegue por tantos anos, sorridente estar ali oferecendo aquelas provas? Eu já teria me irritado faz tempo.

Intrigada, resolvi parar e conversar com ele. Chama-se Luiz, e é conhecido como o Luiz do biscoito, muito embora os colegas (camelôs) adorem brincar o chamando de Luiz da rosquinha (risos). Ele não se incomoda. Tem ótimo astral.

Luiz me conta que não só vende os biscoitos, mas também que é ele mesmo quem os faz. Que é uma coisa de família. A avó fazia depois a mãe e ele simplesmente seguiu o caminho.

No meio da conversa percebo que é bastante inteligente, me responde de imediato o tempo de decomposição no meio ambiente de um copo de plástico que por acaso estava jogado na rua, e eu lanço a pergunta: Nunca pensou em fazer outra coisa? Tentar emprego em alguma empresa? Ele responde: Sim, mas para que? Não me pagarão o salário devido, e ainda irei me aborrecer. O mercado de trabalho não dá valor ao funcionário. Aqui eu ganho o meu dinheiro, e completa: Meu não, da minha mulher (me mostra o dinheiro na mão dele), entrego tudo a ela, ela faz tudo para mim. Ela é quem gerencia tudo. Não tem essa de meu dinheiro, lá em casa tudo é nosso.

Luiz tem dois filhos um de 16 e outro de 6  que estão na escola. Trabalha, somando tempo de rua mais o tempo de preparação do produto, de sete da manhã às nove da noite. Sua esposa é uma super companheira que ajuda a ensacar e preparar tudo para que ele esteja nos trinques para ir para a calçada.

Fala que prefere estar na rua que em casa preparando o produto, pois adora se relacionar com as pessoas, se diverte e aprende com elas .  Vende por encomenda, muitas vezes alta e com isso consegue se manter.

Conta-me, que obviamente oferecendo seus biscoitos “amostra grátis” usando o bordão “são quase light” já recebeu xingamentos: Gorda é sua mãe!  – Simplesmente não liga, e sabe que no dia em que não oferece as amostras vende dez vezes menos. Leva tudo na boa.

Mesmo andando correndo, nunca o vi de cara fechada, mal humorado ou coisa assim. Está sempre agradavelmente oferecendo seu produto. Me pergunto: Como consegue?

A resposta é simples e é o nome desse blog. Garra! Luiz tem garra.

Veja, isso é o exemplo de alguém que decidiu o que quer para si, vive bem consigo mesmo (palavras dele), não esmorece, e alimenta com seus biscoitos a alma das pessoas que os compram.

A entrevista foi demorada, pois toda hora alguém parava para comprar. Impressionante o quanto vende.

Já foi considerado uma espécie de patrimônio cultural de Niterói, saiu em publicações na imprensa e está aí. Vivendo em paz. Enquanto a maioria da população está criando projetos homéricos sem conseguir chegar a lugar algum.

E lanço a pergunta a vocês: Querem experimentar um biscoito quase light? Não? Então que tal tentarem ter a mesma garra que o Luiz e transformarem suas vidas em estilo quase light? Melhor que serem rosquinhas e ficarem dando voltas em si mesmos não acham?

(Gente, por favor, não estou falando para ninguém sair por aí vendendo biscoitos. Apenas para relaxarem e simplificarem fazendo o que gostam e ficando em paz)

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6 Comentários »

  1. Sandra said

    Simone,
    Conheço o Luiz há muito tempo e, confesso, sou consumidora assídua de seus biscoitos, que são deliciosos. E, além dos biscoitos, curto também o batepapo, sempre bem humorado, inteligente, engajado.
    Acho que você foi muito feliz na escolha de sua pessoa de garra. O Luiz é um exemplo e tanto do sucesso que alguém pode fazer quado se dedica com confiança, alegria e vigor ao seu trabalho.

  2. Laila said

    Eu tb nunca aceitei os biscoitos pq não como biscoito, mas agora com meu pequeno, ele sempre passa ali e aceita as provinhas e eu sempre compro biscoitos pra ele. São bem gostosos. A irmã dele que vende os suspiros ali no mesmo lugar só que de manhã… ahhh o quindim que ela vende é uma delícia !
    Realmente eu lembro dele estar ali há anos !!! Quando eu era adolescente ele já vendia biscoitos ali na rua !

    • mixonia40 said

      Justamente, tem q ter garra. E tem gente q complica tanto a vida. Estão ali há anos, são conhecidos por todos e são felizes assim.

  3. Morava em Niteroi e passa por ele todos os dias, ainda menina fazia cara feia muitas vezes e dizia não as amostras, mesmo achando os melhores biscoitos do mundo. Até hoje ainda sonho com esse deliciosos biscoitinhos amanteigados, como queria poder te-los aqui em minha cidade para me deliciar. Achei essa entrevista, pois justamente procurava alguma coisa sobre esses biscoitos, quem sabe não tivesse comercializando para outras cidades, porque quem experimenta sabe que são realmente uma delícia de nunca mais se esquecer!

    • Oi Dani, fico contente que tenha gostado do post, e que ainda que por acaso tenha visitado o meu blog. Espero que passe por aqui mais vezes. Abraços de paz e luz, Simone

    • Oi Dani, sabe que até hoje ele vende os biscoitos. São deliciosos. Conhece tanta gente que tentou se candidatar. Não foi eleito e seus biscoitos agora são embalados de forma profissional.
      Alguns momentos penso que ele deveria comercializar de forma maior. Em outros me coloco no lugar dele e penso no prazer que é poder todos os dias conhecer seres humanos diferentes. O fato é que até hoje até onde eu sei ninguém descobriu a fórmula da felicidade (risos). Talvez essa seja a dele né? Beijos e obrigada por ter passado por aqui. Feliz 2014!

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