O Poder do Branco. White Album / Dear Prudence – The Beatles

*** Por Simone Sá Pinto

Cor branca. Quanta coisa a cor branca pode nos remeter…

Se tratarmos a cor dentro de estudos, encontramos no mais importante conjunto de meditações e preceitos sobre Arte de todos os tempos, O tratado da pintura, que o pioneiro criador da Teoria das Cores, o mais sublime artista da Alta Renascença, o pintor, escultor, engenheiro, cientista, humanista, filósofo e escritor, Leonardo da Vinci (1452-1519), demonstra experimentalmente, pela primeira vez de forma cabal, a composição da luz branca.

Leonardo observou, quando o raio de luz diurna (cinza-azulado) penetra por um lado interior da câmara escura e envolve por um lado opaco, que é iluminado do outro lado por uma vela (amarelo-alaranjado), ali onde as duas luzes se encontram surge o branco.

Newton ao fazer as cores do espectro solar saídas de um prisma atravessarem em segundo prisma invertido, recompondo a luz branca, demonstrou que as cores eram propriedade da luz e não dos corpos refratores, como se acreditava anteriormente.

No círculo cromático ou disco de Newton, os graus de refração dos raios luminosos que compõe a luz branca são iguais.

A conclusão chegada é de que o branco é a soma de todas as cores. Diversas cores. Diferentes e distintas. O que poderia nos levar a pensar que sendo assim, até mesmo o arco-íris seria branco.

A verdade é que se olharmos a nossa volta a cor é usada o tempo todo, e na grande maioria das vezes com o sentido de união. E como as diferentes cores se unem formando o branco, o branco acaba sendo a cor escolhida como símbolo de paz.

Em religiões diferentes quando é pedido para que se imagine a luz divina; em protestos quando é clamada a paz, usamos bandeiras, lencinhos ou acendemos velas a cor branca é a escolhida.

São tantos os momentos onde o branco se estabelece como união e paz que fica complicado listar.

O interessante a se ressaltar aqui é a obra ‘White Album’ da banda The Beatles. Vejam, como de certa forma é possível comparar a obra ao círculo de Newton.

A maioria das canções do álbum foi feita durante a meditação transcendental em Rishikesh, na Índia com Maharishi Mahesh Yogi. Embora fosse uma meditação profunda concebida inicialmente para livrar os membros de todas as obrigações e aflições de seu mundo, Lennon e McCartney davam suas escapadas para, clandestinamente, “irem ao quarto um do outro esboçar algumas idéias.” Lennon disse tempos depois: “Eu escrevi minhas melhores músicas lá.” Beirando quase quarenta músicas que foram inicialmente arranjadas e gravadas em Kinfauns, na casa de Harrison em Esher.

No entanto, o mesmo captura uma grande individualidade de seus integrantes. Os padrões de trabalho nele exercidos são drasticamente modificados com relação àquela sinergia e dinamismo de seus discos anteriores. Algumas vezes era possível encontrar McCartney trabalhando por horas em um estúdio, enquanto Lennon gravava em outro e Harrison e Ringo em um terceiro estúdio, todos quatro com engenheiros diferentes. Durante uma dessas sessões com a gravação de “Helter Skelter” Harrison confessou ter sido um caos e se lembra de ter corrido pelo estúdio com os nervos à flor da pele.

O produtor George Martin disse em entrevistas posteriormente, que trabalhar com os Beatles estava quase se tornando impossível, e que a relação com a banda mudou nesse período com suas maiores qualidades parecendo desfocadas e seus objetivos sem inspiração.

***

A comparação que faço ao círculo de Newton aqui, é a mesma que faço quando digo que discordar é importante para que possamos acrescentar opiniões uns aos outros com respeito à discordância.

Se analisarmos, os integrantes da banda estavam desunidos e ao mesmo tempo criaram o White Album. Ou seja, de acordo com o círculo de Newton, cada um em sua cor, girando, acabaram virando branco.

Do mesmo modo, se aprendemos a respeitar a opinião do outro, e respeitamos as diferenças podemos encontrar o nosso branco. O ‘White Album’ de nossas vidas. As diferenças são feitas para colorir, somar e gerar o progresso, e não a ausência da cor.

Se conseguirmos atingir essa consciência, talvez seja possível alcançar o mesmo sucesso que o ‘White Album’ que a banda The Beatles alcançou. (veja abaixo até onde chegou o sucesso do mesmo)

Talvez seja necessário deixar de ser ‘Dear Prudence’ (que ficou trancada o tempo todo em seu quarto na Índia), e enfrentar as divergências da vida com sabedoria. (Segue vídeo da música)

***

The Beatles é o décimo álbum dos Beatles, lançado como disco duplo em 22 de novembro de 1968. Este álbum está na lista dos 200 álbuns definitivos no Rock and Roll Hall of Fame

É popularmente conhecido como The White Album (O Álbum Branco), por não haver nome, e ser apenas um fundo branco com o nome da banda em relevo. A capa foi criada pelo artista pop Richard Hamilton e o título original era para ser A Doll’s House, mas uma banda britânica chamada Family, já tinha lançado um álbum com nome similar. Foi o primeiro disco lançado após a morte do manager Brian Epstein.

Em 1997O Álbum Branco foi nomeado o décimo melhor disco de todos os tempos pela “Music of the Millennium” da Classic FM. Em 1998 a Q Magazine colocou como 17° lugar e em 2000 em 7° lugar. A Rolling Stone colocou como o décimo entre 500 álbuns e o canal VH1 como 11° lugar. De acordo com a Associação da Indústria de Discos da América, o disco é 19 vezes disco de platina e o décimo disco mais vendido nos Estados Unidos.

Em 2010, um colecionador argentino possuía o álbum com assinaturas originais dos quatro beatles. A peça foi vendida na ocasião por 33 mil dólares.

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2 Comentários »

  1. herbert said

    os beatles enfrentaram essa turbulencia de egos devido tbem a eles terem descoberto as drogas “que levam longe”, como o LSD. realmente, era insuportável conviver com esses 4 malucos na época do White Album.
    Excelente texto!! Realmente, o album branco só virou branco pq as cores dos “desunidos e malucos” beatles de algum modo se fundiram e fecharam a obra!!
    o branco venceu, pelo bem da música!!
    beijo!!

    • Ótima observação Herbert. Obrigada pela leitura, e por seu comentário que só poderia ser tão eloqüente, vindo de um músico tão bom quanto você.

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