Direito do Surto! Fazer como Pollyanna? Language is a Virus – Laurie Anderson

*** Por Simone Sá Pinto.

Queria entender o que anda acontecendo por aí. O que foi? Todo mundo leu o livro da Pollyanna quando era criança e ficou colado dentro? Fazendo o ‘Jogo do Contente’?

Para os que não conhecem (o que acredito serem poucos) segue o link do Wikipédia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Pollyanna

Você entra na famosa rede social ‘Facebook’ e todos são inteligentes, fazem citações ótimas, postam vídeos de boa qualidade, apóiam causas… O mundo virtual é uma perfeição só.

O que gostaria de saber é o propósito. Pois, fica claro, uma vez que faço parte dessa rede há bastante tempo, que é tudo pose. Na vida real, essas pessoas não são nada do que apresentam ali.

Certamente estou generalizando, alguns sim, mostram a verdadeira ‘face do Dr. Lao’, porém em sua maioria estão fazendo o tal ‘Jogo do Contente’. Se passando por alguém que gostariam de ser quando na vida real o ‘buraco é mais embaixo’.

A mim nada disso importa, se todos estão felizes com o brinquedinho, se está ajudando de alguma forma, ótimo. Meu ponto é deixar claro que na vida real TODOS, sem exceção, sem seu momento/modo de surto.

Eu surto, tu surtas, ele surta!!!!

E daí? É o fim dos tempos por acaso? Claro que não. No que se refere ao Brasil, a burocracia, a desigualdade social e assim por diante, estão à uma altura que se torna impossível a qualquer ser humano não ter o seu meu momento ‘xiliquete’, por mais calmo, por mais controlado que seja.

Atire a primeira pedra aquele que nunca perdeu a cabeça por uma incompetência bancária, por tentar cancelar um serviço (telefônico, internet, TV a cabo…), por horas em cartório e sair de lá sem nada resolver, por comprar algo e receber quebrado tentar trocar e levar ‘uma vida’, ou por na hora de pagar em fila de mercado, já com pressa, ver que todas as máquinas dos caixas caíram o sistema? Isso porque nem estou colocando futebol nessa lista, senão ferrou… (risos).

Fato é que se você surtar por qualquer uma razão, logo aparece o ‘conselheiro de plantão’ dizendo: Calma, você está exagerando… Veja com outros olhos… Dessa forma irá acabará tendo um ataque do coração… (e mais uma vez, sem falar os que colocam religião no meio).

O número de ‘conselheiros de plantão’ é assustador. Gostaria de saber se o tal conselheiro também não surta em nenhum momento. Faça-me rir.

Tudo bem, isso é válido, as pessoas estão bem intencionadas e querendo apenas te ajudar naquele momento. Estão desejando o seu bem. Imaginem se todos surtassem ao mesmo tempo? Seria o caos! Ainda bem que tem gente no meio dessa confusão tentando ajudar o outro no momento do desespero, caso contrário, nem sei…

No entanto, é preciso já que decidimos ajudar uns aos outros, ter a compreensão que não somos melhores que ninguém. Estamos AJUDANDO, mas surtamos também. Talvez não por aquele motivo ali do banco, mas por outro qualquer.

A parte onde se torna desagradável é quando o ‘conselheiro de plantão’ não sabe fazer o uso correto da palavra e se posiciona com ‘o controlado’. Como se o próprio nunca tivesse em sua vida em nenhum segundo, por nenhum motivo o seu próprio ‘dia de fúria’. Aí sim irrita.

O conselho funciona como ‘tiro pela culatra’, a ultima coisa que você precisa nesse momento é alguém se colocando como superior o que necessita é de o mesmo compartilhe e lhe ajude a sair daquilo.

Dica: Se vai ajudar, coloque-se no lugar da pessoa e não acima. Diga que assim como ela, entende que realmente a situação não está nada fácil, que ficar irritada não vai adiantar, que já viveu isso, que realmente é uma droga… qualquer coisa assim e tente distraí-la do surto fazendo com que acredite que no fim dará tudo certo.

Em meu caso costumo é fazer piada de tudo. É minha saída. No fim todos começam a rir, meu surto passa, as pessoas a volta acham graça, se estão irritadas deixam de estar.

Bem, nem todos conseguem ‘surtar ao inverso’ dizendo que as maquinas do caixa eletrônico estão todas quebradas e funcionando de forma doida por conta da mudança da lua e que precisamos consultar o oráculo etc e tal (risos).  Ou ainda quando pega a senha de numero 179 e vê que os caixas ainda estão no numero 120, dizer no banco em voz alta que está feliz pois ao menos sabe que na hora do 179 alguém vai lhe escutar, coisa que nesse mundo hoje ninguém mais faz.. (risos 2). Ainda completar dizendo: Mas não espalhem essa idéia, senão todos virão para o banco pegar senha só para conversar com a pessoa do caixa e contar suas vidas… (risos 3) Isso aí é meu caminho… Cada um tem o seu. Sei que o meu funciona, mas sei também que não é muito normal (risos 4).

Todos nós, e me incluo nessa, precisamos a aprender a nos controlar/ comportar. A falar, a ajudar, a fazer bom uso de nossas palavras, para que funcionem a nosso favor e não contra.

E vou além, cuidado com as palavras que usa, pois ao que me parece às mesmas tem poderes. Virei mística agora? Não. Vou apenas citar um exemplo de minha vida que me deixou meio ‘cabreira’

Sempre disse, e tinha a impressão de ter lido isso em algum lugar (devo ter lido mas não me lembro onde e não consigo encontrar): Que uma coisa repetida várias vezes acaba por se tornar realidade.

Tá! “Será verdade? Será que não? Nada do que eu posso falar…” Posso é relatar que fui fazer meu check-up médico anual e ao verificar os exames o médico me disse:

Você está bem, porém proibida de ‘A’ e ‘B’. Legal, uma porcaria estar proibida desse ‘A’ e ‘B’, pois limitam minha vida totalmente, mas fazer o que?

Chegando em casa ao ser perguntada sobre isso respondo: Ok, agora não posso mais nem o ‘A’ e nem o ‘B’, o que está me faltando? Só falta para completar me tirarem o ‘S’!

Proibir esse ‘S’ seria praticamente impossível, porém a família toda pergunta o resultado, e continuo com a MESMA brincadeira. Só falta tirarem o ‘S’! A mesma piada…

Caros leitores, eu ficar doente desse ‘S’ seria praticamente IMPOSSÍVEL! Duas semanas depois… piadas, atrás de piadas, eu ESTAVA doente do ‘S’ !!!??!!

Coincidência? Não me perguntem, porque não sei. Palavra repetida várias vezes? Eu heim… Só sei que acho melhor ficar repetindo que vou ganhar na mega-sena acumulada, ainda que não jogue… (risos)

Como funciona? Não faço a MENOR idéia, só sei que SIM aconteceu, e eu é que não sou besta de experimentar desse veneno outra vez… (risos) Acho melhor prevenir que remediar. Quando vejo que vou pronunciar algo negativo, arrumo logo um jeito de inverter… ‘tô fora’!!!

Hoje vou finalizar o post com citações de outros autores para reflexão, ainda abaixo um conto indiano que encontrei que demonstra essa coisa do poder de seus desejos. (Novamente… “Será verdade, Será que não… -risos)

*** Citações:

“O mundo não foi talhado especialmente para mim” (Filme: Betty Blue/ Autores: Jean-Hughes Anglade, Béatrice Dalle, Gérard Darmon, Consuelo De Havilland.

“A linguagem é um vírus do outro mundo. É melhor ver sua face, do que seu  traço” (Filme: Home of the Brave – Laurie Anderson)

“Senta-te ao sol. Abdica / E sê rei de ti próprio” – (Fernando Pessoa)

*** Conto Indianio – “A árvore dos desejos”

Árvore dos Desejos (Conto indiano)

Contam que um homem percorria determinada região da Índia em que havia a lendária Árvore dos Desejos. Tratava-se de uma árvore mítica, sob a sombra da qual qualquer desejo se realizaria. Sem o saber, o homem resolveu descansar sob a copa de uma linda árvore com flores de cor púrpura, perfumadíssimas. Era a Árvore dos Desejos. Ele estava muito cansado e por dias caminhou naquela região sem água nem comida suficientes. Atormentado pela sede e pela fome exclamou, em voz alta:

– Ah! Como queria agora conseguir água e comida!

Imediatamente surgiram, pairando no ar, jarras de cristal com água fresca, bem como frutas saborosas e iguarias diversas em bandejas de prata. O homem deteve-se por um instante, espantado com a visão à sua frente, achando que seria uma alucinação causada pela inanição. Porém, ao sentir o aroma dos alimentos, avançou sobre eles e saciou-se.

Falou em seguida:

– Depois de tanto caminhar, o que mais queria agora era poder voltar pra minha cidade com algum dinheiro.

Sem demora começaram a cair da árvore centenas de moeda de ouro e prata. O homem imediatamente catou as moedas e as colocou numa sacola vazia que trazia às costas.

Infelizmente, deu voz ao seu medo em seguida:

– Agora só me faltava aparecer por aqui uma quadrilha de salteadores para roubar meu tesouro e me matar!

Nem havia acabado de pronunciar a última palavra, surgiram dezenas de bandidos em seus cavalos e levaram suas moedas e sua vida.

*** Language is a Virus – Laurie Anderson

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