Como pintar, desenhar, compor. Necessária a dor? Habanera – Bizet

***Por Simone Sá Pinto

Um pouco da história:

tinta nanquim ou tinta da china é um material corante (tinta) preta, que veio originalmente da China, preparada com negro-de-fumo (pó de sapato) coloidal e empregada especialmente para desenhos e aquarelas.

Desenvolvida pelos chineses há mais de dois mil anos, é constituída de nanopartículas de carvão suspensas em uma solução aquosa. Embora normalmente nanopartículas dissolvidas em um líquido se agreguem, formando micro e macro partículas que tendem a se depositar, se separando do líquido, os chineses antigos descobriram que era possível estabilizar a tinta nanquim pela mistura de uma cola (goma arábica) na solução com pó de carvão e água.

Hoje é possível entender que, ao se ligarem à superfície das nanopartículas de carvão, as moléculas de cola impedem sua agregação e, portanto, sua separação do seio do líquido.

A tinta nanquim é muito parecida com a tinta sumi, de origem japonesa para a arte sumi e que tem como composição fuligem, colas especiais (goma arábica), água e especiarias. Os japoneses tinham o costume de adaptar coisas trazidas da China, tal como o koto. (fonte: Wikipédia)

*****

A tinta nanquim é usada há muito tempo (séculos), pois era a única maneira que existia de escritores e desenhistas trabalharem.

Da mesma forma o sentimento de dor (decepção, rejeição do ser amado, rejeição familiar, etc.) na maioria das vezes moveu e move artistas e escritores.

No caminho de minha vida por muitas vezes acreditei que realmente alguém só poderia compor algo belo se estivesse embriagado pela dor. No entanto, aos poucos fui percebendo, vivenciando, situações de pessoas que conseguem produzir em estado pleno de alegria.

Estabelece-se aí a grande questão. É realmente necessário que um ser humano esteja em estado de ‘petição de miséria’ para escrever, pintar ou compor uma música?

Em meu ponto de vista não. Tal autor pode estar bem e estar retratando algo que assistiu. Ou tal autor pode se usar de seu dom para através de sua obra transmitir a alegria a aquele que está em estado de sofrimento, ainda que o mesmo no momento em que escreveu, compôs ou pintou estivesse o próprio se sentindo mal.

O que tento dizer é: Uma pessoa alegre pode transmitir algo triste, e um triste algo alegre. Não necessariamente o que está vendo, ouvindo ou lendo é o sentimento do autor. Muitas vezes pode até ser o que o mesmo está buscando.

Sendo assim, não deveríamos julgar o que vemos e tirar pelas obras o sentimento que se passa na mente de um artista.

Segue meu ‘Nanquim’ ao som de Habanera – Bizet

 

Nanquim (Simone Sá Pinto)

 

Toquem ou não castanholas

Me afogo

Em taças de vinho

Que encharcam meus olhos ou os teus

 

Chorem ou não espanholas

Rosas não são flores

Teu sangue mancha o meu

 

Ouço lágrimas

Escorrem de teus lábios

Lavo os dedos

Borrados em nanquim

 

Habanera – Bizet

 

Anúncios

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s